Governo do Distrito Federal
Governo do Distrito Federal
23/09/13 às 16h56 - Atualizado em 3/01/19 às 14h43

Resgatando a história da capital do país

COMPARTILHAR

Patrimônios tombados do DF recebem mais de R$ 4 milhões do Fundurb para restauração

O patrimônio histórico e cultural do Distrito Federal é uma preocupação do governo local.  Não à toa, a Sedhab – Secretaria de Habitação, Regularização e Desenvolvimento Urbano – destinou, por meio do Fundurb – Fundo de Desenvolvimento Urbano do Distrito Federal -, R$ 4,1 milhões para a restauração das igrejas de São Sebastião, em Planaltina, São José Operário, na Candangolândia, e São Geraldo, no Paranoá. O Cine Brasília também foi contemplado e já entregue à população.
“O Fundurb tem como finalidade captar e destinar recursos para viabilizar programas e projetos voltados ao desenvolvimento urbano e institucional no DF e para preservação do patrimônio existente na área de tombamento de Brasília. A Sedhab não mede esforços para contribuir com a conservação do patrimônio histórico e cultural do DF”, destaca o secretário de Habitação e presidente do Fundurb, Geraldo Magela.

Construída pelos escravos em 1.890 e tombada como patrimônio histórico e artístico do DF em 1982, a Igreja São Sebastião, situada no Setor Tradicional de Planaltina, começou a ser restaurada em janeiro deste ano. As paredes de tijolos de barro foram recuperadas com terra vermelha, areia lavada e cal para evitar cupins. As janelas e as portas de madeira foram restauradas e os pilares do altar reforçados com barras de ferro.
Preservação
Assim como na versão original, do lado de fora da igreja é possível ver o mesmo sino, também restaurado e pendurado por colunas de madeira. Para a entrega das obras, é preciso ainda alguns ajustes. A preocupação do GDF é ser fiel as características originais da igreja.  Para a reforma, foram destinados R$ 500 mil.
Maria do Carmo não perdia as missas realizadas na Igreja São Sebastião.  Ela chegou à cidade em 1964, com apenas 15 anos de idade, e a paróquia faz parte de sua história. Foi na igrejinha que dona Maria casou e batizou dois filhos de um total de sete. Ela está ansiosa pela entrega do prédio à comunidade. “Acho ótima a restauração. A igreja estava abandonada. Tínhamos medo dela cair e acabar com a história inicial de Planaltina. É importante para a cidade conservar um patrimônio. Pretendo realizar uma missa de 50 anos de casamento aqui”, declara a moradora.

Na Candangolândia, uma igreja de madeira erguida por operários que trabalharam na construção de Brasília e inaugurada em 1960 funcionava há anos como um galpão. Com a liberação de R$ 324 mil, destinados à restauração do local, a paróquia São José Operário, que estava deteriorada, teve sua história resgatada.

Ela ganhou madeiras mais resistentes ao desgaste natural provocado pelo tempo. Os bancos da época foram restaurados e o piso foi feito em cimento queimado, preservando as características originais. A pia de batismo e o sino da versão original também serão restaurados. A previsão é que a igreja seja entregue em novembro – mês do aniversário da cidade. A paróquia foi tombada como Patrimônio Cultural do DF em 1998.

Segundo o pioneiro e morador da Candangolândia, Omar Moraes, que foi alfaiate de Juscelino Kubitschek, a restauração da igreja foi uma luta da comunidade. Ele, que chegou à capital em 1959, viu a cidade e a igreja nascerem. “Acompanhei missas, casamentos e batismos na igreja. Estou muito contente que conseguimos atingir o nosso objetivo. Isso é história”, fala o pioneiro.

Moradores do Paranoá, em dezembro deste ano, terão de volta a igreja São Geraldo.  Fundada em 1966, a paróquia, mais um patrimônio histórico e cultural do DF, foi construída para atender os operários que trabalharam na construção da Barragem do Lago Paranoá. Tombada em 1993, foi demolida em 2005, devido ao estado de degradação, restando apenas a escadaria de concreto armado que dá acesso à entrada da igreja. Atualmente, ela é erguida no mesmo local. Toda em madeira ipê – tratada com produto que previne o cupim – o templo ganhou também telhas de zinco, com isolamento acústico e térmico.

O piso será de cimento queimado vermelhão, seguindo o padrão original. Na parte superior da porta de entrada será pendurada a cruz antiga, que também passará por restauração. A igrejinha terá as paredes brancas e a porta azul, conforme a versão original. As janelas serão de vidro. Para a reconstrução foram destinados R$ 283 mil.
O pedreiro da obra e morador do Paranoá, José Luiz dos Santos, chegou à região em 1996. Não conhecia a igreja, mas está contente em ajudar a reconstruir um patrimônio histórico na cidade. “Estou feliz. É um bom negócio para quem mora aqui. Pretendo ir às missas, principalmente sendo um lugar que eu ajudei a construir”, disse. A igreja fica no Parque Vivencial do Paranoá.

Cine Brasília
Já para a reforma do Cine Brasília – uma das mais importantes edificações da área de tombamento da capital federal – foram destinados R$ 3 milhões pelo Fundurb. No local, ocorreram serviços de impermeabilização, instalação de para-raios, troca das instalações elétricas, hidráulicas, mecânicas e de todo o sistema de ar-condicionado.

O espaço recebeu rampas de acesso, poltronas para obesos, lugares para cadeirantes e piso tátil para atender às exigências da Lei de Acessibilidade. É a segunda reforma do Cine Brasília. A primeira intervenção ocorreu na década de 70. O Cine Brasília foi entregue à comunidade em setembro deste ano.